Porque uma colecionadora nunca perde totalmente a sua coleção. Mais cedo ou mais tarde, um novo item irá se juntar aos antigos.
Ela queria que suas lágrimas tivessem acabado. Mas elas ainda não haviam. Uma delas escorreu queimando e desceu até a página de um de seus livros preferidos, marcando-a. Corroendo. A garota possuía características semelhantes àquela página, afinal. Alma marcada. Coração corroído.
Naquela madrugada gelada, ela tinha plena certeza de que nunca se sentira tão patética em sua vida. Sabia que se alguém a visse, provavelmente riria. Aonde estava aquela garota fria, afinal? A que não sentia? Aquela que sempre tinha uma ironia na ponta da língua? A Srta. Independente, que nunca parecia se importar com algo ou alguém? A que dizia foda-se para tudo e todos?
A tal garota não possuía mais a sua muralha de frieza, seu escudo de sarcasmo, sua barreira de falsa confiança e seu sorriso de esperança. De repente, ela não tinha mais nada. Só havia sido deixado com suas dores e incertezas, mais uma vez. A angústia presa dentro dela, sem saber como tirá-la. Ela queria correr, correr de si mesma. E não tinha mais como. Simplesmente não dava mais. Somente havia lhe restado tentar não soluçar alto demais. Ah, tão patética. Tão bobinha.
Engolindo utopias. Alimentando-se de ilusões. Vivendo de sonhos. Recebendo dor. Sozinha.
Cabeça doendo. Pensamentos confusos. Milhares de coisas na mente, todas ao mesmo tempo. Caralho, por que aquilo não parava? Tudo girando. Lágrimas escorrendo. Dor. Sua teia de felicidade se dissolvendo em suas mãos. Porra, por que estava tremendo daquele jeito estúpido? Puta que pariu, que horas eram? Merda, ela tinha aula no dia seguinte. Aquelas lágrimas não iam parar de escorrer nunca?
Ela podia apostar que, à todo momento, teria que prender o choro no dia seguinte. E aquela garota era boa em apostas. Costumava acertar, aliás. Mas era inútil quando se tratava do motivo de sua dor. Chegou a conclusão que jamais saberia como entender aquele sentimento. Porque o amor era um jogo de azar e, querendo ou não, ela sempre perdia.



