2 de mai. de 2013

Ela perdeu sua coleção?



Ah, aquele sorriso.
Qualquer um poderia observar de longe aquele sorriso. Exceto quando não falava com aquele garoto, aquele garoto que era sim dela. 
De qualquer forma, ela parecia mais feliz do que nunca. E realmente estava. Seria possível viver um período tão bom em sua vida? A garota mal acreditava que as coisas estavam acontecendo de verdade.
Tão acostumada a sofrer, a chorar e guardar tudo para si... Agora estava tão feliz, plenamente feliz...
A colecionadora enterrou sua bagagem de dores o mais fundo possível, para que pudesse dar lugar a sua mais nova coleção: de alegrias. De amor, felicidade, sonhos e esperança.
Aquilo poderia ser uma utopia prestes a desmoronar, mas se acontecesse... Ela havia sido feliz. Ela havia parado de apenas existir para conseguir viver.
Naquele momento, a menina tinha tudo o que queria e precisava. Estava bom o bastante para garota que havia cansado de ser triste. Não que as dores tivessem desaparecido, pelo contrário. Ela só tinha cansado de dar importância ao que só lhe fazia mal.
Ah, a felicidade... Quem poderia imaginar que tomaria o lugar de tantas mágoas? 
Quem poderia imaginar que os suspiros da menina seriam repletos de amor e alegria?
Quem poderia imaginar que aquela garota voltaria a acreditar no amor?
Pois bem. A questão havia sido sempre essa... Imaginar e Acreditar. Ela agora imaginava e acreditava. Ela queria e buscava. Sorria e amava.
E, para ela, tudo estava bem.

30 de mar. de 2013

O dilema de uma viciada em livros

Descobri que existem pessoas lendo isso. Interessante. Enfim, escreverei sobre mim na terceira pessoa. O texto flui mais fácil dessa forma. 


Há quanto tempo ela já estava naquele lugar? Podia sentir a impaciência de seus pais. Podia ver as pessoas indo e vindo. Aquele era seu paraíso. Tudo bem, poderia ser mais legal se não tivesse tanta gente, mas ainda sim se encaixava em sua definição.
O cheiro era maravilhoso. Existiria lugar com um cheiro melhor? Amava cada um dos objetos que a rodeavam. O nome desse lugar? Ah... Livraria.

- E esse? - dizia sua mãe, mais uma vez.
- Já li - respondia a garota, monotonamente. 
- Não tem mais graça te trazer aqui - a mulher suspirava - Já leu a maioria.
- A maioria não - a menina dava de ombros - Só esse, esse, esse, esse, esse, aquele lá...

Ela apontava para inúmeros livros, das prateleiras mais distantes até as mais próximas. As pessoas já a olhavam esquisito, mas não parecia se importar. Por que o faria, afinal?
Olhou para o lado. Seu pai estava lá, observando seu relógio. 

- Estamos há uma hora aqui - resmungou ele.

Uma hora? Como o tempo havia passado rápido daquela forma? Reparou à sua volta. Realmente, as pessoas não eram mais as mesmas. Quantas vezes tinha andado por aquela livraria em busca do que a interessasse?
Não queria livros "encrepusculados". Não queria "o menino beija a menina e fim". Queria aventura, mistério, ação. Queria movimento naquela vida cansativa que possuía. Queria embarcar em um novo mundo, um mundo onde pudesse ser o que bem entendesse.
A garota respirou fundo. Qual a dificuldade dos autores de hoje em dia? Por que não podiam ser mais Rowling, Tolkien ou Riordan? Talvez até Collins, ora essa! Os livros a sua volta eram muito bem indicados, claro, mas seriam o que ela buscava? 
Bateu o pé impaciente. Mas que indecisão! 

- Já estou quase conseguindo - assegurou aos pais, que pareceram ficar mais aliviados.

Virou-se e leu novamente cada uma das sinopses que mais a tinham interessado. Por que aquela escolha era tão difícil? Parecia ser o maior dilema que já tinha vivido! 
Então pegou três. É, aqueles três pareciam bons o bastante. Agora era só mergulhar em cada uma das páginas, voltando ao seu mundo predileto... O mundo da fantasia, o mundo em que mais se sentia à vontade... O seu mundo.

Meus novos preciosos.

27 de mar. de 2013

Ela será amada.



A chuva caia fraca naquela rua deserta. O garoto de olhos escuros não se importou com aquilo, apenas continuou ali parado. Parecia esperar que algo acontecesse ou que alguém chegasse... O que de fato estava.
Sem dar atenção à ele, uma garota passou o mais rápido que pode, sentindo a leve garoa engrossar a cada passo. Agarrando fortemente os inúmeros livros que levava contra si, respirou fundo e percebeu que não adiantaria mais correr. Passou a andar mais lentamente, apenas tentando proteger o que carregava. Seu jeito tão triste e cabisbaixo... O que a teria deixado assim?
O menino não tirara os olhos dela um instante. Parecia tão bobo ali, esperando uma menina que mal deveria se importar com ele... Mas ele a esperaria aonde quer que fosse. 
Aquela garota significava tanto e em todos os sentidos... A partir daí não conseguia mais concluir seu raciocínio. Só sabia que tal sentimento seria eterno. Por uma menina que parecia tão comum aos olhos dos outros, mas que se destacava da forma mais incrível possível para ele. Cada pedaço dela o encantava, parecia ser mágico. O sorriso dela poderia mover galáxias e o brilho de seu olhar daria inveja a estrela mais brilhante.
Não seria possível ver aquele sorriso pertencendo a outra pessoa. Seria tão errado... Ele era dela e ela era dele.
Com esse pensamento, correu até ela, na chuva. E o faria novamente, em qualquer tempo ou qualquer circunstância. Foi até a garota de sorriso quebrado e a abraçou. Aquilo bastava. Seja por uma eternidade ou por apenas um momento, ele ficará com a garota.. E ela será amada.